Mensagem João 1.35_42
Aceitem uns aos outros
ACEITEM UNS AOS OUTROS
Texto: Romanos 15.7-13
"Portanto, aceitem uns aos outros para a glória de Deus, assim como Cristo aceitou vocês. Pois eu lhes digo que Cristo se tornou servo dos judeus a fim de mostrar que Deus é fiel, para fazer com que se cumprissem as promessas feitas por Deus aos patriarcas e para fazer com que os não-judeus louvassem a Deus pela sua bondade. Como dizem as Escrituras Sagradas: “Por isso eu te louvarei entre os que não são judeus e cantarei louvores a ti.” Elas dizem também: “Vocês que não são judeus, alegrem-se com o povo escolhido de Deus!” E dizem ainda: “Todos os que não são judeus, louvem o Senhor! Que todos os povos o louvem!” E também Isaías diz: “Virá um descendente do rei Davi, filho de Jessé; ele aparecerá para governar os que não são judeus, e eles terão esperança nele.” Que Deus, que nos dá essa esperança, encha vocês de alegria e de paz, por meio da fé que vocês têm nele, a fim de que a esperança de vocês aumente pelo poder do Espírito Santo! "
O verbo “acolher” ou “receber”, no original grego tem um significado muito claro:
- tomar como companheiro
- tomar pela mão a fim de pôr de lado
- tomar ou receber em casa, com a idéia paralela de bondade
- receber, i.e., conceder acesso ao coração
- acolher em amizade; iniciar um profundo relacionamento;
Todos na comunidade cristã precisam viver nesta dimensão: da disposição, voluntariedade em acolher e aceitar uns aos outros.
Este mandamento tem significado muito amplo e não pode ser desprezado. Há mandamentos que nos passam a impressão que podemos viver sem dar tanta atenção a eles. Na verdade, nenhum mandamento bíblico pode ser desprezado, precisamos dar o máximo de atenção a todos, pois eles possuem uma repercusão, um significado muito profundo.
No mandamento em questão deste texto, “acolher ou aceitar uns aos outros”, destaco alguns significados importantes que sustentam sua importância.
Quais são?
1) ACOLHER E ACEITAR SIGNIFICA TER UMA ATITUDE DE SUPERAÇÃO DAS DIFERENÇAS.
Tomar uns aos outros como amigo; abrir o coração para que o irmão tenha acesso e compartilhe comigo, significa, que estamos superando as diferenças que temos. Temos uma criação diferente; temos um jeito diferente; temos valores e pensamentos diferentes, personalidades diferentes, fraquezas, mas nada disso é mais forte, do que o desejo de viver em comunhão.
Nossa igreja local ganhou muito na sua espiritualidade, quando passou a participar ativamente do movimento ecumênico na cidade de Belém do Pará. Pois participar do ecumenismo cristão é aprender a relacionar-se com o outro, com o que é diferente, derrubando os antigos empecilhos ou obstáculos. As nossas tradições não são mais forte que o nosso desejo de vivenciarmos o evangelho juntos. Isto tem sido maravilhoso.
Presenciamos esta semana na mídia uma cena triste de crianças que vivem na rua na cidade de São Paulo, que foram levadas ao abrigo pelo Conselho Tutelar e destruiram o departamento com forte agressividade; atacaram os jornalistas. Crianças que pareciam mais um furacãozinhos em pessoas. Uma situação triste e que a princípio parece não ter solução.
Observando esta situação triste, chego a um pista de como deve ser o tratamento de reabilitação destas crianças. Deve-se partir do seguinte princípio, que as mesmas precisam de pessoas que as acolham e as aceitem com suas falhas, os vícios, a maneira equivocada de vida que vivem... Porque, ninguém aceita um conselho ou uma orientação se não for de fato acolhido... Estas crianças cresceram sem ser acolhidas.
Exemplo negativo de acolhida:
Na Bíblia encontramos um exemplo negativo diante do mandamento de acolher:
"Eu escrevi uma pequena carta à igreja, mas Diótrefes, que deseja ser o líder, não quer dar atenção ao que eu disse. Portanto, quando eu chegar aí, vou chamar a atenção dele a respeito de tudo o que ele tem feito: as coisas horríveis que diz de nós e as mentiras que conta. Porém ele não fica satisfeito só em fazer isso; pois, quando os irmãos chegam aí, ele não os recebe. E, se alguma pessoa quer recebê-los, ele não deixa e até a expulsa da igreja!" (3 João 9-10, NTLH)
O apóstolo escreve uma carta à Gaio e um dos assuntos é a repreensão à Diótrefes, que se opunham ao progresso da comunidade com atitudes que feriam gravemente a comunhão e a unidade da igreja.
Mas, na Bíblia encontramos lindos exemplos de acolhimento e aceitação. P. ex a acolhida à Onésimo:
"Pode ser que Onésimo tenha sido afastado de você por algum tempo a fim de que você o tenha de volta para sempre. Pois agora ele não é mais um escravo, porém muito mais do que isso: é um querido irmão em Cristo. De fato, para mim ele é muito querido. E para você agora ele é mais querido ainda, não só como escravo, mas também como irmão no Senhor. Por isso, se você me considera seu companheiro de trabalho, receba Onésimo de volta como se estivesse recebendo a mim mesmo. Se ele deu algum prejuízo a você ou lhe deve alguma coisa, ponha isso na minha conta." (Filemon 15-18, NTLH)
2) ACOLHER E ACEITAR NOS IDENTIFICA COMO DISCÍPULOS DE CRISTO.
Jesus nos recebeu e acolheu – venceu as diferenças – não olhou para as nossas fraquezas, os nossos pecados, mas nos chamou para vivermos com Ele.
Em Romanos 5.8, Paulo escreve: – Cristo prova o seu grande amor por nós, quando ainda éramos pecadores. Cristo morreu por nós.
Esta é uma mensagem maravilhosa, pois Jesus quando esteve neste mundo não desprezou a ninguém: acolheu a todos. Os evangelhos estão repletos de experiências lindas de Jesus, de sua atitude de acolhimento e aceitação: a mulher, dita adúltera, que ia ser apedrejada... Jesus tira de cena seus acusadores, e diz as lindas palavras, que Ele também não iria condena-la. Ela deveria ir e não pecar mais.
As crianças, desprezadas pelos adultos, foram carinhosamente aceitas e acolhidas por Jesus: “não as desprezais, pois delas é o Reino dos céus”.
Os doentes, quantos e com diferentes enfermidades, foram acolhidos por Cristo: leprosos, cegos, problemas psíquicos, endemonhiados... não havia nenhum tipo de barreira para Jesus.
Os desprezados da sociedade foram acolhidos por Jesus de forma que incomodava, os santos, poderosos, “certinhos”, que rotularam a Jesus de “comilão e beberrão; amigo de publicanos e prostitutas”.
Se hoje acolhermos e vivermos com os outros em fraternidade prática e profunda, com amor e carinho – mostramos que somos discipulos de Cristo, pois fazemos igual ao que o nosso mestre fazia.
Não podemos dizer que somos seguidores de Cristo, mas não fazemos o que ele fez. Isto é hipocrisia – Isto destrói nossa autoridade como igreja, que quer transformar o mundo – que luta para que haja moralidade, ética e justiça.
3) ACOLHER E ACEITAR É CONDIÇÃO PRIORITÁRIA PARA AÇÃO MISSIONÁRIA.
Eu quero convidá-lo a ler o restante do texto e que observemos na leitura quantas vezes aparece a referência a outros grupos que não seja o povo de Deus (os mesmos estão sinalizados no texto):
"Portanto, aceitem uns aos outros para a glória de Deus, assim como Cristo aceitou vocês. Pois eu lhes digo que Cristo se tornou servo dos judeus a fim de mostrar que Deus é fiel, para fazer com que se cumprissem as promessas feitas por Deus aos patriarcas e para fazer com que os não-judeus louvassem a Deus pela sua bondade. Como dizem as Escrituras Sagradas: “Por isso eu te louvarei entre os que não são judeus e cantarei louvores a ti.” Elas dizem também: “Vocês que não são judeus, alegrem-se com o povo escolhido de Deus!” E dizem ainda: “Todos os que não são judeus, louvem o Senhor! Que todos os povos o louvem!” E também Isaías diz: “Virá um descendente do rei Davi, filho de Jessé; ele aparecerá para governar os que não são judeus, e eles terão esperança nele.” Que Deus, que nos dá essa esperança, encha vocês de alegria e de paz, por meio da fé que vocês têm nele, a fim de que a esperança de vocês aumente pelo poder do Espírito Santo! " (Romanos 15:7-13, NTLH)
6 vezes há a citação da formula “não judeus” ou “todos os povos”.... isto mostra que o plano de Deus começa com a vinda de Cristo que nos acolheu e nos recebeu, nos dando graça, misericórdia, perdão e vida. Nós como povo de Deus devemos acolher uns aos outros e estender esta prática a outras pessoas que não são da comunidade. Estender esta prática aos desorientados espiritualmente nesta vida.
Estender esta prática, por exemplo, aos que se declaram ateus, sem-religião, por que estão decepcionados com as religiões hipócritas...quando estes verem que há comunidades cristãs que vivem de fato os passos de Jesus serão impactados por esta graça...
Quanto mais eu vivo acolhendo e recebendo meu irmão, intimamente no meu relacionamento, mais estou preparando a igreja para acolher os que estão fora, os que estão sem um relacionamento vivo com Cristo.
Isto é maravilhoso!!!!
A prática deste mandamento precisa começar já. Quem ao seu redor precisa ser acolhido? Há pessoas desprezadas? Estenda a mão a estas pessoas. Abra um acesso especial em seu coração a elas. Faça amizades! Pergunte o nome destas pessoas, ore por elas, convide-as para um lanche na sua casa ou a surpreenda com um presente conforme a necessidade que você identificar. Comece uma ação que testemunhe estrada aberta ao seu coração!
Que Deus o abençoe!
Amém!
* Mensagem proferida pelo Rev. Cláudio Lísias na 1ª IPI de Belém por ocasião da série de sermões "Uns aos outros" (2º semestre de 2011)