Mensagem João 1.35_42

Alcançar os sonhos sem deixar escapar Deus

TEMA:  ALCANÇAR OS SONHOS SEM DEIXAR ESCAPAR A DEUS

TEXTO:  Josué 5. 9-12

"E o Senhor disse a Josué: — Hoje eu tirei de vocês a vergonha de terem sido escravos no Egito. Foi por isso que chamaram aquele lugar de Gilgal. E este nome continua até hoje. Os israelitas estavam acampados em Gilgal, na planície em volta da cidade de Jericó, e ali comemoraram a Páscoa na noite do dia catorze do primeiro mês. No dia seguinte comeram alimentos daquela terra: cereais torrados e pão sem fermento. Depois disso os israelitas não tiveram mais o maná porque ele parou de cair do céu. Desse ano em diante, eles começaram a comer os alimentos da terra de Canaã. " (Josué 5:9-12, NTLH)

 

Quantos conhecem uma pessoa que depois que conseguiu aquilo que mais desejava se tornou uma pessoa egoísta, mesquinha, arrogante, sectária, ou mesmo, abandonaram a fé?

Esta é uma realidade muito triste.  

Nos faz lembrar duas histórias:

1) A mitologia grega já deixava isso claro na história de Dédalo e seu filho Ícaro. Dédalo sonhava em voar como um pássaro. Não apenas sonhou, como produziu asas feitas de cera e cobertas por penas. Com elas, ele e o filho ganharam os céus. O que aconteceu em seguida é a parte mais conhecida da história: Ícaro, exultante com o vôo e querendo subir cada vez mais alto, ignorou a recomendação do pai para não se afastar. Voou para muito perto do sol e encontrou a morte quando suas asas derreteram por causa do calor.

O mito de Ícaro é uma metáfora de como a ambição pode levar uma pessoa ao fracasso.

 

2) Parábola de Jesus: “Havia um homem rico, cuja terra produzira muito. E ele se perguntava: ‘Que vou eu fazer? Pois não tenho onde ajuntar minha colheita? ’ Depois opinou: ‘Eis o que farei: vou demolir os meus celeiros, o meu trigo e meus bens’. E direi a mim mesmo: ‘Eis que possuis quantidade de bens em reserva para longos anos; descansa, come, bebe e te banqueteia´. Mas Deus disse: ‘Insensato, esta noite mesmo a tua vida será reclamada e o que tu preparaste, que é o que o terá?’ Eis o que acontece a quem reúne um tesouro para si mesmo, em vez de se enriquecer junto a Deus”. Lucas 12, 16-21

 

Construir a vida a fim de realizarmos sonhos, conquistarmos metas é positivo. A questão é quando a conquista nos transforma. O perigo de ao chegarmos na realização dos sonhos e deixarmos coisas importantes.

 

O povo de Israel chega enfim, a terra de Canaã – terra prometida por Deus desde os Patriarcas. Este momento histórico do povo de Israel é um bom ensinamento de como viver depois que se alcança uma bênção tão desejada.

Diante da concretização da promessa – da realização da conquista – da culminância da vitória, o que muda de fato neste limiar de dois períodos?

O texto é claro, na divisão de dois momentos: Deus diz “hoje” – divisor de momentos...

 

O que muda então? Ou melhorando a pergunta, o que não pode mudar?

1) NÃO PODE MUDAR A REALIDADE DE SER DEUS O FUNDAMENTO DA NOSSA FÉ.

Não precisamos mais de Deus?

Vitória e conquista não é sinônimo de felicidade: Em Deuteronômio vamos encontrar 79 vezes a mensagem sobre a promessa de um dia o povo de Deus possuir e herdar a terra prometida (Era uma promessa antiga desde os Patriarcas)

Porque esta insistência?

Porque havia uma preocupação de Deus de que o povo fizesse uma relação entre a conquista de Canaã e a promessa de Deus?  Deus não queria que o povo nutrisse sentimentos de superioridade.

 

– a felicidade está em valorizar a ação de Deus através do povo

 

– A celebração da Páscoa é fruto de uma real consciência histórica.

Você conhece alguém que faça uma grande festa na sua casa na sua empresa para comemorar a Independência do Brasil? Porque, historicamente, trata-se de um processo sem participação do povo – nos falta a consciência histórica.

 

2)  NÃO PODE MUDAR A NOSSA DEPENDÊNCIA DE DEUS

- Receber a promessa de Deus é um exercício contínuo de dependência da providência e misericórdia de Deus

Quando recebemos uma benção de Deus, precisamos, então, colocar em prática todo o aprendizado do período de privação, de lutas ou de peregrinação.

O maná foi utilizado por Deus como um processo pedagógico para o povo. Deus estava preparando o povo para viver na terra prometida.

O maná significava que Deus estava presente no meio do seu povo, assim como servia o seu povo.

 

Quero pontuar alguns aspectos do aparecimento do maná:

a) Ex. 16.4 – O Senhor prometera que faria chover pão dos céus sobre eles.

b) O contexto do aparecimento do maná é de reclamação: “Vocês nos trouxeram para este deserto a fim de matar de fome toda esta multidão”. (v. 3)

c) Não se deveria guardar nada para o dia seguinte. Alguns não obedeceram e guardaram para o dia seguinte – no dia seguinte estava cheio de bichos e cheirava mal.

d) No sétimo dia não haveria o maná – mas mesmo assim alguns saíram à procura dele.

e) Nem sempre o povo recebeu com gratidão o maná:

Nm 11.6 -  Mas agora acabaram-se as nossas forças. Não há mais nada para comer, e a única coisa que vemos é esse maná!

f) O maná estava sempre num contexto de confiança, obediência, gratidão do povo a Deus e revelava a providência, misericórdia e bondade do Senhor.

 

 - Deus estava ensinando o povo sobre a completa dependência, e mostrando que o pão físico não era bastante para o sustento diário.

 

Dt. 8.3, 15-16 -   Ele te humilhou, e te deixou ter fome, e te sustentou com o maná, que tu não conhecias, nem teus pais o conheciam, para te dar a entender que não só de pão viverá o homem, mas de tudo o que procede da boca do SENHOR viverá o homem. (...)15  que te conduziu por aquele grande e terrível deserto de serpentes abrasadoras, de escorpiões e de secura, em que não havia água; e te fez sair água da pederneira;

16  que no deserto te sustentou com maná, que teus pais não conheciam; para te humilhar, e para te provar, e, afinal, te fazer bem.

 

- Maná era um treinamento, discipulado para uma nova realidade – uma nova bênção na terra prometida.

Esta é a razão das pessoas que almejam tantas coisas na vida e quando a conquistam se tornam infelizes. Não se desenvolveram no processo da conquista – nas lutas – nos percalços da caminhada.

Não aprenderam a depender de Deus.

 

O texto nos ensina, com a simbologia do maná, que a fé precisa está fundamentada na providência e misericórdia de Deus em qualquer circunstância. Em qualquer tempo ou etapa da nossa vida.

 

Conclusão:

Eu quero encerrar esta mensagem esta noite, com mais uma conhecida história da mitologia grega:

Midas era um rei completamente apaixonado por dinheiro e, apesar de milionário, queria Ter sempre mais para ser a criatura mais rica do planeta. Quando Baco lhe ofereceu a realização de algum desejo, como recompensa por ele Ter cuidado de um amigo, Midas pediu o poder de transformar em ouro tudo que tocasse. Baco percebeu que esse desejo significava a destruição de Midas, mas, como havia prometido realizar qualquer desejo, cumpriu a palavra.
Midas voltou ao seu reino e resolveu testar se realmente havia ganhado esse poder. Durante a viagem, tocou uma pedra e imediatamente ela se transformou em uma enorme pepita de ouro. Logo adiante encontrou um galho de árvore e, ao segurá-lo, percebeu que ele se transformara em galho de ouro.. Tudo que ele tocava virava ouro. Não demorou perceber que poderia ser o homem mais rico da Terra. Seus cavaleiros ficaram sobrecarregados de tanto transportar ouro.
Chegando ao palácio, mandou servir um jantar delicioso, com todo o requinte. Então levou um choque. A realidade mostrou-se cruel. Todo alimento que seus lábios tocavam virava ouro. O pão transformava-se em ouro, assim como qualquer alimento. E, para seu desespero, a água que quis beber, quando tocada por seus lábios, também se transformou em ouro. Percebeu, então, toda a loucura do desejo. Não conseguia mais se alimentar, não poderia dormir em um leito macio nem tomar banho em uma banheira cheia de água morna. O rei midas voltou a procurar o Baco e pediu-lhe que tirasse dele esse poder. Baco orientou-o para que lavasse nas águas do rio Pactoros e, com efeito, depois de Ter tomado banho naquele rio, ele perdeu o poder de transformar tudo em ouro. A consciência dessa transformação fez com que Midas abandonasse sua ambição material e passasse a viver de maneira mais simples e afetiva.

O que aprendemos é que Deus deseja que tenhamos sonhos.

O ser humano sem sonhos é infeliz. O ser humano sem metas e alvos é vazio. O ser humano sem viver alcançando novas etapas é retrógrado, com pouca coisa para contribuir no meio social...


Quantos casaram e pararam no meio do caminho, ou não desfrutaram da bênção do casamento;

Quantos lutaram muito para conseguir uma boa posição na empresa, mas se tornaram mesquinhos e vencidos pelos próprios desejos;

 

Lutar por melhorias – vencer as etapas da vida – conquistar e realizar os sonhos é muito bom! Deus aprova isto. A história de Israel é um bom testemunho desta realidade.

Mas não permitamos que as nossas conquistas da vida nos façam abandonar três coisas:

- A nossa fé em Deus;

 

- A nossa dependência de Deus e

 

- A consciência de que somos seres sociais em diversificadas relações de interdependência com os outros.

 

Que Deus o abençoe!

 

Amém!

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