Mensagem João 1.35_42

Comunidade e o Cristo dos Evangelhos

UMA COMUNIDADE PARECIDA COM O CRISTO DOS EVANGELHOS

TEXTO:  Lucas 8. 1-3

 

A sociedade que vivemos é marcada estruturalmente e sistêmica, pela exclusão e marginalização de pessoas.

As mulheres no século XXI ainda continuam excluídas, oprimidas, violentadas, discriminadas.

 

 

P. ex. As mulheres com nível superior ganham, em média, 40% a menos que os homens com a mesma escolaridade (IBGE).

 

Apesar de as mulheres serem hoje a maioria nas universidades, elas ainda são também maioria entre as pessoas desempregadas e no trabalho informal, sem carteira assinada e sem direitos. Aquelas que conseguem emprego trabalham nas piores funções e com menores salários. As mulheres são minoria em todos os cargos de poder, nas chefias das empresas e no Congresso Nacional, apesar de constituírem mais da metade da população.
l As mulheres são 43,8% da força de trabalho no Brasil (PNAD-2006), mas ocupam apenas 40% dos cargos de gerência no serviço público e 30% na iniciativa privada (TEM/RAIS-2007).

 

No Brasil, a cada 15 segundos uma mulher é vítima de violência. A maioria das mulheres assassinadas é morta pelo marido ou namorado, atual ou ex (OMS - Organização Mundial da Saúde).

 

Se vivemos num mundo de exclusão, como podemos viver uma vida comunitária fora destes padrões? Como é o viver em comunidade que o Reino de Deus nos impulsiona?

 

1) NO VIVER COMUNITÁRIO NÃO PODE HAVER REAÇÕES PRECONCEITUOSAS. (as mulheres foram aceitas no grupo de Jesus)

A mulher nos tempos de Jesus tinha uma posição inferior sob todos os aspectos.

Para os olhos da lei a mulher era considerada menor, irresponsável: o marido podia recusar qualquer compromisso por ela assumido, e a parte prejudicada não encontrava qualquer apoio legal.

 

O fato de Jesus permitir mulheres em seu grupo missionário mostra que a comunidade cristã deve seguir este exemplo.

Imaginem comigo a reviravolta, pois Jesus proclamava a esperança onde ia e as mulheres e excluídos o acompanhavam.

A vontade de Deus é que nossa proclamação,  evangelização, anuncio, venha acompanhado de prática real, verdadeira, de uma nova forma de ser comunidade.

No mundo há muitas exclusões e marginalizados.  A igreja, o povo de Deus, precisa ser esta comunidade que inclui, em vez de excluir.

 

2) NO VIVER COMUNITÁRIO DEVE EXISTIR CURA E LIBERTAÇÃO.

Diz o texto que as mulheres que acompanhavam Jesus eram mulheres que foram curadas de espíritos malignos e de enfermidades.

Este atestado é muito importante. Porque viver em comunidade conforme os princípios do Reino, significa que deve haver uma responsabilidade na cura das pessoas que participam da comunidade.

As vezes queremos que todos que participam conosco não tenham problemas, sejam logo pessoas que venham contribuir, pró-ativas, pessoas sem arrogância, se depressão, enfim...queremos todos 100%.

Mas não é esta a realidade da comunidade cristã.

 

A palavra “cura” no texto é therapeo daí vem a palavra terapia. A igreja precisa ser uma comunidade terapêutica. As pessoas vem cheias de enfermidades e mazelas que lhes trazem tristeza, dor, infelicidade...na  convivência cristã estas pessoas precisam encontrar um direcionamento, encontrar espaço para serem ouvidas, precisam de carinho, de pessoas que os ajudem a tratar os problemas da alma.

 

Uma das mulheres citadas é Maria Madalena.

Maria Madalena, a mulher dos desejos desorientados...

É a mulher que quer tudo. O homem e Deus. Só um deles não basta...Ela quer os dois, ela quer a síntese...

- tem o arquétipo da pecadora...uma mulher com desejos desorientados...Não se consegue distinguir qual o sujeito do seu desejo...

(Na época de Jesus, o que era uma pecadora? Em nosso tempo é uma mulher de prostituição...Na época de Jesus não era só isto, uma pecadora poderia ser uma mulher que busca conhecimento...Porque as mulheres não tinham acesso a leitura da Torá... - Pecado no tempo de Jesus seria a desorientação dos desejos... Hamartia – termo para pecado – significa mirar o alvo mas não acertá-lo – caindo a flecha ao lado...é perder o seu eixo – perder a orientação...Maria Madalena é uma pecadora, não sabe o que quer...)

 

Muitas pessoas se aproximam de nós assim. Não sabem o que realmente querem  e por isso são doentes – infelizes – fechadas em sua própria dor...

 

- Este é um estado de sofrimento...temos tantos desejos mas não sabemos o que verdadeiramente desejamos...não encontramos o que verdadeiramente desejamos e estamos insatisfeitos...(A palavra enfermidade no texto significa falta de forças para reagir – abatimento...)

 

A vida das mulheres mudaram a partir do encontro com Jesus, por isso o seguiam e participavam ativamente do seu ministério.

E isto muito me preocupa, pois quantos estão a tempo conosco e ainda não foram curados – suas vidas ainda não passaram por mudanças reais e progressivas.

Onde estamos falhando?

Será que em vez de construir esta comunidade rica de relacionamentos, não estamos vivendo a nossa fé fechados em nós mesmos?

 

3) NO VIVER COMUNITÁRIO DEVE-SE CONCENTRAR ESFORÇOS COMUNS DE SOLIDARIEDADE E COMUNHÃO.

Diz o v. 3 que as mulheres “prestavam assistência a Jesus com os seus bens”. A palavra grega para “prestar assistência” é diakoneo - diaconia!

 

Que transformação faz uma comunidade onde não predomina a exclusão e preconceito; onde há respeito; onde há cura – o resultado é o serviço solidário – é o companheirismo para todos os momentos da vida.

As mulheres de serviçais aos seus maridos – que ficavam em pé enquanto os maridos se regalavam na refeição – agora são servidoras na missão do Reino.

Seus esforços são concentrados para a solidariedade da comunidade. Existe a partilha. Não há mais o caráter da concentração em si mesmo. Agora, abrem-se os olhos para a necessidade do outro.

 

Quem é verdadeiramente curado não perpetua o processo de exclusão: Será que verdadeiramente entendemos nossa salvação e Libertação?

Que Cristo é este que confessamos a nossa fé?

 

Enquanto não há comunidade que se respeita, que se valoriza, que se inclui – é porque ainda não fomos curados dos espíritos malignos do egoísmo; da individualidade; da competição; do hedonismo, enfim...

 

CONCLUSÃO

Realmente, eu tenho muitos preconceitos; você também.

Este é o nosso grande desafio superar estes preconceitos. Precisamos que fale mais forte em nossa vida a Graça de Deus...

A Graça do Senhor sempre é inclusiva, acolhedora, construtora...

 

- Quanto a exclusão: vamos orientar as mulheres que sofrem. Se você conhece alguma mulher que está sofrendo algum tipo de violência, vamos nos aproximar dela para dar orientação, encaminhar para órgãos competentes que possam ajudá-la;

 

- Quanto às mulheres que sofrem enfermidades da alma, da desestruturação dos desejos íntimos; vamos propor ajudar; aconselhamento; oração; leituras; convivência...

 

- Vamos fazer uma dinâmica de diálogo com alguém que confesse  uma outra fé ou religião; que seja muito diferente de nós. Este é um bom exercício.

 

Amém!
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