Editorial 06.11.2011 - Mais Reino de Deus no ano da Transição

reino_de_deusMais Reino de Deus no ano da transição

 

 

 

 

 

Nossa igreja local, representada por sua liderança, decidiu iniciar, desde setembro/2011, o ano da transição (referente a implantaçã do sistema Igreja em Céluas). O ano da transição, que não implica necessariamente serem 12 meses, mas poder durar muito mais, é um tempo para a igreja aprender a ser uma comunidade. Necessariamente, na sua essência a igreja deveria ser uma comunidade, pois, segundo os paradigmas de Cristo e dos apóstolos, representados pelas primeiras comunidades cristãs, se pensava a igreja como uma comunidade. Porém, o fato é que estamos um pouco distantes desta realidade na prática, e a culpa não é especificamente sua ou minha, como pastor. O tempo que a gente vive influencia nossa maneira de viver e também os eixos temáticos de nossa dogmática, ou em outras palavras, os óculos de nossa doutrinação, influenciam significativamente nossa maneira de entender a igreja. Como vencer estas influências e iniciarmos de fato um processo contínuo de transformação para que a igreja seja a comunidade libertadora dos sonhos de Jesus?

Precisamos urgentemente mudar a nossa estrutura de pensamento, sobre a fé cristã. Há equívocos de nossa catequese que considero grave. Uma delas é pensar a fé no sentido individualizado, pessoal, verticalizado (homem/Deus) e não entender que a fé possui uma dimensão social, pública, política, ecológica e comunitária. Este pensamento extremamente equivocado deveria ser substituído pela mensagem central do Evangelho e do Novo Testamento, que é a mensagem do Reino de Deus. Se iniciarmos neste período de transição este processo de restauração de pensamento, de uma fé tão reduzida e expressão social frágil, para uma fé na dimensão do Reino de Deus, grande progresso de testemunho e atitudes iremos dar em nossa missão.

Quando se pensa no Reino de Deus como centro de nossa mensagem e compreensão da fé nossa vivência cristã apropria-se da dimensão pública e cósmica do Reino. Teologicamente, é a partir da consciência política, ecológica, universal do Reino de Deus, que a missão da igreja é aplicada corretamente e produz ações responsáveis diante dos contextos de crises que vivemos (desemprego, saúde, violência, família, valores...), criando esperanças e um testemunho forte de transformação social e cultural.

Para alguns chamados de ação e mobilização somos muito lentos, p. ex. questões como mobilização em prol da preservação do meio ambiente, ações em favor da justiça, como ocorreu hoje na Praça Batista Campos, realizado pelo Comitê Inter-religioso, contra o extermínio de jovens na grande Belém... Estas coisas não achamos tão interessantes. Não nos mobilizamos para nos fazermos presentes, agirmos concretamente, pois pensamos que para a vida espiritual não terá influência alguma. Ao contrário se o chamado fosse para um “louvorzão”, campanha de oração para conseguir “bênçãos”, ou a solução de todos os nossos problemas... Somos também lentos na resposta para uma ação comunitária: ás vezes nutrimos resistências, pois agir comunitariamente requer um preço. O preço da transparência, da prática do “uns aos outros”, da prestação de contas... Na vida comunitária eu só sou abençoado por Deus através da comunhão com meus irmãos e irmãs. Bênção de Deus só na expressão social e comunitária da fé, o resto é enganação e magia pagã.

No próximo domingo, dia 13/11, reiniciaremos o Curso “Restaurando a visão de Deus para sua igreja”. Vamos juntos construir esta nova estrutura de pensamento, necessário para a transformação do mundo que estamos vivendo.

Bênção e paz para você!

Revº. Cláudio Lísias

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