Editorial 11.09.11 - Paremos de criticar uns aos outros
PAREMOS DE CRITICAR UNS AOS OUTROSViver em comunidade precisa ser um aprendizado constante. Não é algo fácil. Ninguém entra numa comunidade logo como doutor. Aprender com os relacionamentos é uma jornada interessante e desafiadora. Eu já errei muito, nos meus 15 anos de ministério que vou completar no final deste ano. Já briguei, perdi a cabeça falando coisas que não devia a outros irmãos, não tive paciência com algumas pessoas e fui tratando questões de forma intransigente, enfim, poderia discorrer sobre diversas situações em que fraquejei no exercício da convivência comunitária e que hoje procuro evitá-las. Não é por menos que os apóstolos deixaram tantas exortações para a prática na comunidade “uns com os outros”. Aí está o segredo e a vitória da comunhão. A prática onde todos são responsáveis.
Conheço um bom número de pessoas que não conseguiram assimilar e perdoar situações conflituosas na comunidade e saíram da igreja com marcas e feridas profundas na alma. Conheço pessoas que não conseguem participar de nenhum culto em nossa igreja por causa de lembranças de conflitos, fofocas, ofensas e tantas outras atitudes que destroem a fraternidade de um grupo. É como se o templo trouxesse memórias sombrias que as pessoas não desejam lembrar, mesmo sendo hoje uma comunidade com outros membros, um outro pastor, mas ficou um doloroso bloqueio.
Paulo, procurando evitar tais situações, deixa-nos hoje uma exortação importante: paremos de criticar uns aos outros (Romanos 14.13). Em outras traduções trazem o verbo “julgar”. O contexto deste verso é que na igreja de Roma, conflitos, “panelinhas”, ofensas, estavam acontecendo. Irmãos se julgavam mais fortes, maduros, “crentes cabeça”, e julgavam, criticavam duramente outros irmãos de fanáticos, alienados, pois achavam ser escândalo para a fé cristã pessoas comerem e beberem alguns tipos de alimentos e bebidas. Paulo dá sua opinião com honestidade afirmando que a essência dos princípios do Reino de Deus não é comida nem bebida, mas sim paz, justiça e alegria no Espírito. Em outro verso afirma que nenhum alimento é indigno em si mesmo, é nossa cultura e pensamento que diz que algo é impuro ou não. Porém, Paulo ensina que quem é forte e maduro, não pode usar sua maturidade e liberdade para ofender, criticar e julgar as outras pessoas na comunidade.
Quem julga e critica as outras pessoas está minando o progresso da igreja. Devem parar de fazer isso imediatamente.
Quem julga e critica se coloca numa posição de juiz, ou seja, se acha melhor do que os outros, pensamento que não se aplica ao viver na comunidade cristã.
Quem julga e critica as outras pessoas está afrontando o próprio Deus, pois só Ele tem autoridade e competência de julgar os erros de uma pessoa. Mas mesmo sendo Deus, aplica também o perdão e dá oportunidade para que as pessoas se arrependam.
Quem julga e critica as outras pessoas afasta estas vidas de Deus. Que absurdo, enquanto deveríamos assumir o ministério da reconciliação, estamos construindo pedras de tropeço para as pessoas caírem e se afastarem do Senhor. A ofensa, fofoca, palavras inadequadas, levam pessoas a se afastarem de uma vida mais fervorosa no relacionamento com Deus. Estas pessoas ficam tristes, abatidas, frias e indispostas. Se queremos ser uma igreja cheia de vitalidade precisamos ministrar palavras de sabedoria uns aos outros; palavras de ânimo, compaixão, perdão, ensino, orientação e palavras de edificação.
Bênção e paz para você!
Revº. Cláudio Lísias