O historiador
Conceito sobre o trabalho do historiador.
Rubem Alves, expert na arte de brincar, educar, provocar, desconstruir e construir pela palavra, em sua obra Dogmatismo e Tolerância faz um conceito muito bonito e significativo sobre a tarefa de um historiador.
O historiador, assim, é alguém que recupera memórias perdidas e as distribui, como se fossem um sacramento, por aqueles que perderam a memória. Na verdade, que melhor sacramento comunitário existe que as memórias de um passado comum, marcada pela experiência da dor, do sacrifício e da esperança? Recolher para distribuir. Ele não é apenas um arqueólogo de memórias . É um plantador de visões e de esperanças. (p. 170)
Sobre a tarefa de reconstrução do protestantismo afirma:
O que a história nos dá é um complexo de oposições e conflitos que não podemos separar. Inquisidores e sacrificados se chamavam de protestantes...Se ainda me chamo de protestante é porque faço uma triagem seletiva de materiais, a partir de um amor – da mesma forma como o amante ignora as crises de mau humor da bem amada, dizendo que a bem amada é sempre doce e que a megera que nela habita é nada mais que um resultado efêmero da química hormonal...(p. 171)
ALVES, Rubem. Dogmatismo e tolerância – São Paulo: Edições Paulinas, 1982.